O Bom Aluno
“Portugal deve provar ser um “bom aluno”, e assim ganhar espaço para renegociar”, imaginem que Portugal é um vosso filho, revelando a escolha do nome, um elevado sentido de patriotismo, não deixando porém nos tempos que decorrem, de ser uma escolha de risco, tanto para os pais como para o petiz.
A frase com que comecei este apontamento, foi proferida por um dos pais da nossa democracia, destacado ex-dirigente do PSD, e dono de um dos canais televisivos privados, e como é óbvio referia-se ao nosso país, mantendo no entanto a analogia estabelecida, os progenitores do pequeno a quem deram o nome de Portugal, independentemente do esforço na educação do mesmo e da colaboração do petiz, podem ver a guarda do mesmo ser-lhes retirada e entregue a uma qualquer instituição.
Este mesmo risco corre a nação formada por Dom Afonso Henriques, reconhecida no ano de 1143, efectivamente Portugal corre o risco definitivo de perder totalmente a sua autonomia, isto apesar do cumprimento de todas as medidas de austeridade até agora aplicadas e a aplicar. Na realidade o enquadramento internacional vivido, nomeadamente ao nível europeu é difícil, e as incertezas são imensas, apesar desta perspectiva, já por si negativa, temos a infelicidade de ter o primeiro-ministro mais seguidista, de toda a Europa, da chanceler alemã.
Da mesma forma que a família do aplicado petiz, apesar do mérito do esforço reconhecido, numa educação austera e rigorosa, pode ver-se na contingência de se ver privada do seu filho, também o Pedro está na disposição de tudo para se manter nas boas graças do eixo franco-alemão, mesmo que isso signifique entregar Portugal, e o seu destino nas mãos daqueles em que persiste seguir de forma cega.
Não é por acaso que o senhor Portas, já veio a público assumir que caso se imponha a necessidade de discutir um novo tratado, deve ser encontrado um consenso interno em Portugal, numa manifesta piscadela de olhos ao PS, não é por acaso que tais afirmações vêm na sequência da imposição de “MERKOZI”, em redigir um novo tratado europeu, mais regressivo e austero, que deverá impor aos restantes estados membros a vontade, do bloco franco-germânico, impondo assim de forma unilateral aquilo que deveria ser discutido por todos estados membros, e que seria a evolução lógica da União Europeia, para a constituição de uma Europa federativa.
Ao contrário do doutor Pinto de Balsemão, que é da opinião que caso o petiz comprove ou revele afinal ser bom aluno, vê margem para renegociar (como qualquer bom pai, faria), já para Pedro independentemente do comportamento do catraio, o seu destino está traçado, não terá qualquer outra alternativa do que ser dado para adopção, esta é na realidade a diferença entre o ultra liberalismo e a subserviência cega do Pedro e a ponderação e a humanidade de quem também vê pessoas, para além do défice.