Um fim de Tarde em Setembro

30-09-2011 19:45

O fim do dia de quarta-feira foi profícuo em matéria informativa, houve de tudo para todos os gostos, assistimos á primeira derrota do FCP, para as competições europeias desde o ano de 2009 (efeitos da crise, ou da fruta que é de má qualidade), foi-nos também oferecido pelo canal publico, um espectáculo que poderá muito bem, nos tempos mais próximos tornar-se um remake de algo visto á uns anos atrás, que ficou celebremente conhecido como “os secos contra os molhados”.

 Curiosamente coube á RTP efectuar uma reportagem em directo, do protesto das forças de segurança (e o ambiente esteve quentinho) enquanto todos os outros canais omitiram o facto, fica aqui a interrogação, será que quando o canal público for privatizado, as manifestações dos polícias serão notícia?

Enquanto os polícias se confrontavam desta vez ainda a seco, o canal de Queluz de baixo andava num frenesim histérico com a entrevista ao vosso presidente, depois da esgotante visita ao arquipélago dos Açores, e do fim dos efeitos alucinantes dos belos prados de erva, que fazem rir as vacas, a criatura decidiu matar o tempo vago e anteriormente desperdiçado com as podas inúteis às anonas, e prestou-se a dar a sua primeira grande entrevista.

E quando todos esperavam ouvir algo sobre a acção social, dos aumentos previstos na prestação de cuidados de saúde, na educação, algo em apoio aos que perderam o emprego, ficaram certamente desapontados, pois da boca da criatura as únicas palavras de preocupação, foram para com a banca e as pressões altas da troika sobre a mesma, as explicações e a concordância com o facto dos detentores depósitos bancários terem sido isentos dos sacrifícios exigidos ao resto dos portugueses, exemplifica bem as preocupações do vosso presidente.

A situação da Madeira, e a afirmação acerca do desconhecimento das contas daquela região autónoma, é no mínimo estranha, para não afirmar mesmo inverosímil, já a forma como se referiu á governação do” beto maluco”, afirmando que a mesma tinha um “estilo” muito próprio, foi a parte cómica da entrevista, estilo o homem devia estar internado, isso sim.

A tal entrevista transformou-se numa aula de economia em que foi notória a preocupação de justificar e branquear a governação dos partidos que contribuíram para a sua reeleição. Nada tenho contra as aulas de economia do Prof. Silva, já a sua competência na matéria é muito questionável, se efectivamente fosse tão bom como quer parecer, os doze anos da sua governação, quatro como ministro das finanças e oito como primeiro-ministro, teriam contribuído certamente para um pais muito diferente daquele que temos hoje. Infelizmente a memória dos portugueses é curta e após uma segunda tentativa a criatura lá conseguiu ser eleito o presidente de alguns de vós, tal facto também não me causa estranheza desmesurada, pois se eventualmente o António Oliveira Salazar fosse vivo seria facilmente eleito.

Por fim serviu a mesma tão propalada entrevista para a digníssima criatura informar que em breve iria convocar um conselho de estado. Como se tal coisa só por si fosse algo digno de atenção, tal facto seria devidamente assinalável se o mesmo pudesse ser transmitido em directo pela televisão para todos os portugueses assistirem, e apreciar assim estilo dos conselheiros de estado, entre os quais recordo se encontra o estiloso Alberto João Jardim, facto que prestigia e muito o conselho de estado.

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