Um Coelho Armado em Esperto

18-10-2011 18:39

 

A justificação dada pelo “mais africano de sempre”, para “abençoar” os funcionários públicos com mais um mimo, previsto no OE de 2012, é uma mentira extremamente perigosa.

Na realidade o senhor primeiro-ministro ao afirmar, que o corte dos subsídios de natal e férias aos funcionários públicos, e não á generalidade dos portugueses, é justificável pelo facto dos vencimentos serem em média mais elevados 10% a 15% que no sector privado, não só, não corresponde é verdade, como também constitui um gravíssimo erro que pode vir a pagar muito caro.

Para não subsistirem dúvidas em relação á minha isenção neste assunto, não sou funcionário público, nem tenho ninguém no meu agregado familiar directo a trabalhar no sector público.

A conclusão idiota a que chegou o chefe do governo, esquece que cerca de 60% dos funcionários públicos, são licenciados com cursos superiores, o raciocínio imbecil estabelecido ao efectuar comparações de vencimentos de forma linear sem atentar nas devidas diferenças, além de maldoso é profundamente estúpido.

O exercício que o vosso primeiro-ministro faz é comparar, os vencimentos dos professores dos vossos filhos, com o do servente de pedreiro, ou a senhora que trabalha na padaria, é comparar o vencimento do médico que vos presta cuidados de saúde, ao do funcionário da estação de serviço, isto sem qualquer demérito para estas pessoas.

Se o senhor primeiro-ministro quisesse ser honesto, devia comparar os vencimentos destes funcionários, com o dos gestores e quadros médios superiores do sector privado, certamente concluiria que por norma os valores praticados no sector privado são superiores.

O que a esperteza saloia do actual primeiro-ministro (deve ser algum vírus que existe em são bento) pretendeu foi comparar alhos com bugalhos, para justificar mais uma forma fácil e pratica de sacar mais uns milhares de euros aos funcionários públicos, com a perspectiva de a telenovela ter sequência com mais um “PEC á Passos”, lá para meados de Fevereiro ou Março do próximo ano, com o alargamento destas medidas ao sector privado.

A não ser que o vosso primeiro-ministro julgue que pode pôr pessoas sem formação superior a leccionar nas escolas ou a fazer cirurgias, está a fazer demagogia e populismo, com uma matéria de extrema seriedade, com a qual não devia brincar, pois o conjunto dos funcionários atingidos com estas medidas são grande parte da classe média, que mantém o regime democrático em vigor no nosso pais, comparticipando o serviço nacional de saúde e a segurança social, assegurando o acesso a estes serviços aos que menos posses detêm.

Quando ao inicio referi a perigosidade, destas medidas, referia-me ao facto de que as mesmas vão ser aplicadas, a sectores sensíveis para o bom funcionamento da democracia, como os magistrados, militares, agentes das forças da ordem, médicos, enfim tudo o que é essencial, para o regular funcionamento das instituições, pois estas são formadas por pessoas que têm família, e responsabilidades assumidas, e começam a ficar sem dinheiro para cumprir as mesmas.

Brincar com isto, é provavelmente tão inteligente, como ir para dentro de um paiol, com uma tocha.

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