Suicídio Colectivo

14-10-2011 20:00

A definição temporal é de extrema relevância, e existem circunstâncias em que a mesma é fundamental, para melhor compreendermos o que nos rodeia.

Serve esta introdução, para desenvolver o raciocínio sobre aquilo que antes era incomportável e agora é imprescindível, há uns meses atrás no reinado do “Pinóquio”, os portugueses não aguentavam mais sacrifícios, pelos vistos agora os mesmos já são suportáveis.

Seguindo a mesma lógica, antes era inaceitável, o crescente volume de impostos, agora é a única saída, pois o que importa é aumentar a receita, quando antes era cortar as gorduras do estado.

A pretensão do “Pinóquio”, de por fim às deduções fiscais no âmbito das despesas de saúde e educação, era um ataque á classe média, agora é criar mais justiça social, e defender os mais carenciados.

A crise internacional e o seu contexto na crise económica que atravessamos, antes era desculpa de gente incompetente, que não sabia o que fazia, agora essa mesma crise, é a nota geral de todos os discursos, incluindo o do “sábio de Belém”.

Passados estes meses, se analisarmos o que tem sido a política aplicada pelo novo governo, todos os motivos apresentados para o chumbo do PEC do “Pinóquio”, correspondem exactamente às medidas que têm sido implementadas, é caso para perguntarmos onde está o programa de governo do “mais africano de sempre”.

 No caso do partido do “Paulinho das feiras”, o caso é ainda mais grave, se atendermos a que este só atingiu a dimensão de votos que tem, com base num discurso demagogo e populista, que renegava todo e qualquer acréscimo nos impostos, actualmente essa bandeira foi queimada, e dedicam-se a políticas sociais de caridades miseráveis, tipo “tias de cascais”, ao mesmo tempo que vêm com números de gravatas.

O orçamento de estado em cima da mesa, para além dos efeitos lesivos sobre as famílias, irá ter um efeito devastador sobre a economia, que se traduz em menos consumo, logo menos mercado interno, menos crescimento, mais falências, mais desemprego, logo mais despesas sociais para o estado, que associadas ao decréscimo dos impostos cobrados dai resultantes, vai criar uma espiral cujos resultados, podem ser constatados na Grécia, da mesma forma que considero que a descriminação negativa sofrida mais uma vez pelos funcionários públicos, ao mesmo tempo que diaboliza mais uma vez o funcionalismo publico, abre a porta para que num curto espaço de tempo, alargar o corte dos subsídios de natal e ferias aos restantes trabalhadores do sector privado, eventualmente em Março ou Abril do próximo ano teremos o concretizar desta medida.

O aumento do IVA no sector da restauração ao contrário do expectável, não vai provocar um aumento de receita para o estado, pois o consumo vai-se retrair, ao mesmo tempo que o mercado paralelo, e a evasão fiscal sem qualquer controle ou fiscalização, vai ter um acréscimo impar na nossa economia, aliás de acordo com muitos analistas a derrapagem verificada é exactamente resultante da quebra de receitas.

O mais trágico disto tudo é que toda a gente já percebeu, que as medidas de austeridade aplicadas vão destruir em definitivo a nossa economia, um conhecido opinador televisivo, dizia com alguma piada, “que não se pode afogar a criança com a água do banho”, esta frase ilustra na perfeição o que não devia ser feito, mas que na realidade está a acontecer. 

Estas medidas vão provocar uma regressão nas condições de vida dos portugueses, que só encontram paralelo nos anos sessenta, terá sido isto que os portugueses sufragaram nas urnas?

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