Relvas show

06-10-2011 19:31

Está feroz a competição televisiva em Portugal, efectivamente o share é discutido á décima, e os canais televisivos não se poupam a esforços para baterem os seus rivais.

No canal do “tio Balsemão”, está de volta o programa dos gorduchos, e desta vez conseguiram alguns argumentos de peso no sentido literal da palavra, existem alguns espécimes com mais de duzentos quilos, o que perspectiva um longo plano de sacrifícios e austeridade, com muito suor algumas lágrimas e Barbara Guimarães quanto baste.

Quem também está de volta é a dentuça mais mediática de Portugal, efectivamente o canal de Queluz de Baixo, recuperou a pioneira Teresa Guilherme e lançou a receita do costume, uma casa, gado com fartura e fé em deus, o resto aparece de forma natural, e quando não aparece inventa-se.

Já o canal de todos nós, após o fim do incomparável, “ultimo a sair”, que na minha modesta opinião foi provavelmente o melhor "reality show", passado em Portugal até á data, ficou como diria o povo com as calças na mão, até porquê como todos sabem, o canal publico é para desmontar e a palavra de ordem é poupar, nada melhor de que fazer algo dentro do género, mas recorrendo á prata da casa. É aqui que entra aquele que já oportunamente considerei como sendo o “braço armado” deste governo, e que entre outras particularidades é a toupeira da maçonaria no executivo governativo.

Enquanto decorriam nos canais generalistas os programas da moda, na RTP era apresentado mais um Prós e Contras, sobre a batuta atenta da jornalista Fátima Campos Correia, naquele que é considerado o programa de debate mais alargado da televisão portuguesa, e por vezes é tão alargado que extravasa os limites do politicamente honesto.

No mínimo é aquilo que podemos dizer da postura e participação do ministro dos assuntos parlamentares o senhor Miguel Relvas, que com a apresentação de um livro verde (certamente efeitos da relva), vem lançar o debate sobre uma necessária pseudo reforma do poder autárquico, mas que deixa no ar o aviso de que com ou sem o apoio do poder local a mesma irá ser efectuada, logo fica aqui uma questão, se desde já é firme o propósito de fazer a reforma mesmo contra tudo e todos, para quê o livro verde e o debate de ideias?

Da elevada participação do ilustre profissional da política, fica ainda o seguinte apontamento de que na sua opinião o”poder local não é a vaca sagrada da democracia”, será que para este senhor haverá algo de sagrado na democracia, talvez a sua carreira política, que num regime totalitário dificilmente ocorreria, pois ao contrário dos autarcas que estão devido a alteração questionável da lei, limitados a três mandatos, já os políticos profissionais como o “relvinhas”, podem durante uma vida inteira exercer mandatos de deputados, pontuada com participações em elencos governativos.

Aliás sobressai da participação do ilustre ministro, a gonorreia verbal com que procura disfarçar a sua própria responsabilidade na vida política portuguesa dos últimos vinte cinco anos, em que exerceu activamente cargos públicos, como se durante os períodos em que foi secretário de estado da administração pública em governos de 2002/2004,o poder local fosse muito diferente daquilo que é agora. Quem ouvir o cavalheiro falar julgará estar perante alguém que veio de outro planeta e acabou de aterrar em Portugal, é constrangedor vê-lo a tentar justificar a reforma do poder local, com o argumento da desertificação do interior, chega mesmo a ser patético ver alguém que é militante de um partido politico com responsabilidades governativas nos últimos trinta anos a tentar branquear uma situação, para a qual deu o seu contributo.

Tais raciocínios só poderiam partir de um cérebro que ao mesmo tempo que critica o governo anterior pelo despesismo exacerbado, em entrevista á “jornalista” Maria João Avilez, acerca do buraco da região da Madeira branqueia o responsável pelo facto com a despudorada afirmação de que e passo a citar: “a obra está lá, para quem a quiser ver”. Esta é a verdadeira face daqueles em que os portugueses delegaram a responsabilidade de decidir o seu destino.

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