Queixinhas

09-11-2011 19:30

Os banqueiros portugueses enviaram uma carta à Comissão Europeia a acusar o governo da Republica de pretender nacionalizar o sector financeiro. De acordo com a associação presidida por António Sousa, as dificuldades do sector bancário devem-se à crise da divida soberana, salientando o grande esforço dos bancos portugueses, estão a realizar no sentido de fortalecerem os rácios de capital pelos seus próprios meios.

Os pontos de discórdia relacionam-se com os poderes que eventualmente o estado pode assumir bem como as obrigações exigidas às instituições intervencionadas, o que de acordo com os banqueiros da nossa praça configuram uma nacionalização idêntica às do PREC em 1975.

Esta aparente ruptura no relacionamento entre o poder político, e a alta finança portuguesa, a mim cheira-me a esturro e simplesmente é a assunção clara daquilo que já é do conhecimento de todos, de que as decisões referentes ao nosso país são tomadas pelas entidades que têm em mãos o resgate, sendo o executivo do Coelho e Portas, meros lacaios executantes das mesmas.

Quando existe tanta preocupação com a imagem que passa para o exterior, com os sinais dados aos credores, quando o “sábio de Belém”, anda num périplo pelos EUA, segundo ele próprio a tentar mudar a imagem de Portugal, vêm estes pseudo-banqueiros que enquanto especuladores da divida soberana, adquirindo a mesma com recurso a capitais do BCE a uma taxa juro baixa, nunca se queixaram, são estes mesmos banqueiros que incentivaram o acesso ao crédito ao consumo, promovendo a facilitação do mesmo sem qualquer critério, são estes mesmos que agora enviam cartas a fazer queixinhas, como se alguém estivesse interessado em nacionalizar as chafaricas que eles tão mal têm gerido, já nos bastou a desgraça do BPN, estas sim são péssimas imagens de Portugal.

Outro assunto que me tem enojado é a novela do Isaltino Morais versus justiça portuguesa, não pelo facto de se tratar do Isaltino, mas pela quantidade de justificações e retórica que tem envolvido o caso.

Este é o exemplo acabado de que a imagem que caracteriza a justiça como sendo cega é uma falácia, fosse o ilustre autarca, alguém desprovido de meios financeiros e sujeito a um defensor oficioso, certamente que estaria agora a terminar o cumprimento da pena de sete anos, em que havia sido condenado inicialmente, sendo no entanto alguém com os recursos necessários tem acesso aos melhores “tubarões”, e provavelmente acaba até por não cumprir pena alguma.

Como é que querem que os cidadãos confiem nas instituições, com exemplos destes.

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