Parar para Pensar.....

23-11-2011 23:36

 

Estranhamente estou num dilema, apesar de todas as medidas de austeridade até agora aplicadas, bem como aquelas que ainda serão colocadas em prática, não decidi ainda se vou fazer greve dia 24 de Novembro.

O motivo de tal indecisão, poderia ser o desconto do dia que deixarei de receber, e acreditem que seria um motivo forte, mas não, nem tão pouco eventuais “represálias”, em forma de avaliações de desempenho menos positivas, são o motivo das minhas dúvidas.

Nem sequer aquela ladainha que nestas alturas costumamos, ouvir nas bocas de alguns colegas, que á falta de coragem para assumirem frontalmente o facto de não fazerem greve, tentam justificar-se com o habitual “fazer greve para quê, não vai resolver nada”, ou ainda por outro lado aqueles que á laia de desculpa, fazem questão de dizer ao chefe “fico em casa pois não há transportes”, ou outros ainda que á margem da lei metem um dia de férias, em regra estes são os mesmos do costume que nas reuniões, nunca têm dúvidas nem tão pouco levantam questões, ficando sempre na expectativa que outros lutem ou falem por eles, e que no fundo já perderam o respeito próprio, e nem sequer conseguem o respeito das chefias que procuram bajular.

O que efectivamente está a mexer comigo, e a fazer-me questionar se devo ou não fazer greve, é a complacência com que a generalidade dos portugueses, está aparentemente a aceitar todas as medidas que lhes estão a ser impostas, eu que até não votei nestes gajos, nem sequer vou (para já), ser penalizado com o corte de qualquer dos subsídios em 2012, logo devia era estar sossegado e aqueles que elegeram estes cavalheiros e sentem agora na pele a “merda” que fizeram que fizessem eles greve.

Concluo que aquilo que está em jogo vai muito para além, das razões que mencionei, seria chegada a hora de honrar todos aqueles que ao longo destes últimos 40 anos em Portugal lutaram pelos direitos dos trabalhadores, e pela democracia, alguns ainda durante o regime salazarista, outros ao longo dos últimos anos, são estas conquistas e avanços civilizacionais, obtidos com muita luta e perseverança, que agora alguns em nome de uma crise para a qual os trabalhadores não contribuíram, procuram delapidar em nome de uma agenda ideológica, que visa o extremar do ultra liberalismo sem regras, e o capitalismo selvagem, que levarão como aliás já foi assumido pelo executivo a um inevitável empobrecimento da sociedade portuguesa que continua a agir como se nada se passasse.

Curiosamente tenho aderido a todas as greves gerais, sempre segui a minha consciência mesmo quando aquilo que estava em questão, nem tão pouco era comparável ao que hoje está em jogo, fi-lo muitas vezes por mera solidariedade, porém desta vez não estou nessa disposição, da mesma forma que os que nos (des)governam, acham que temos de morrer para então renascermos das cinzas, também eu vou esperar que a consciência social cresça e que aqueles que ainda hoje acham que este é o caminho, reconheçam o seu erro e despertem para a realidade, talvez nessa altura me sinta mais solidário, reconheço estive indeciso até à hora em que escrevi estas linhas.

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