Parabéns Portugal

18-11-2011 20:01

 

Estamos de parabéns, os portugueses estão todos de parabéns, Portugal está de parabéns, o governo está de parabéns, os deputados estão de parabéns, até o “sábio de Belém” que anda lá pelas Américas, há uma catrefada de tempo, está de parabéns.

Não, não se trata do apuramento para o euro 2012, nem o facto do Paulo Bento ter excluído definitivamente o Bosingwa e o Ricardo Carvalho, estou a referir-me á segunda inspecção da troika, ao desempenho do executivo na aplicação das medidas previstas no memorando, bem como daquelas que não estavam previstas.

Ao que parece o corte das gorduras do estado gordo do “Pinóquio” está a correr conforme o previsto, no documento assinado aquando do plano de saque, perdão resgate da troika ao nosso país. Irá assim ser desbloqueada mais uma fatia da ajuda a Portugal quer dizer ajuda é uma forma de falar pois de acordo com a hipoteca assinada, iremos pagar cerca 113 mil milhões de euros (mais uns pozinhos), pelos 78 mil milhões da ajuda amiga da troika, ou seja vamos pagar aos “nossos amigos” cerca de 35 mil milhões de euros, com amigos assim….

Apesar do preço que custa esta preciosa ajuda, os amigos da troika, ainda se dão ao luxo de nos dar alguns conselhos, têm a lata de sugerir que as remunerações do sector privado devem sofrer cortes o que até se compreende, pois os trabalhadores portugueses são dos mais bem pagos dos países da união europeia.

Vejamos por exemplo o absurdo do montante pago de ordenado mínimo em Portugal, um verdadeiro excesso, como disse um digníssimo representante de uma das associações patronais, devíamos por os olhos nos chineses, que ganham muito menos e mesmo assim conseguem poupar, aliás a posição dos usurários da troika é consequente com o procedimento e a postura de submissão do rapazinho de Massamá, e do seu ministro das finanças que assumem frontalmente, que a solução passa pelo empobrecimento do país e o retrocesso social dos portugueses.

Mas o mais triste é que podemos constatar o conformismo e a apatia dos cidadãos em geral, que tomados de um estranho sentido patriótico, parecem na disposição de continuar a aceitar medidas que nos distanciam ainda mais dos parâmetros ocidentais e que inevitavelmente nos relegam para patamares só comparáveis a economias subdesenvolvidas.

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