O Velho Continente

06-11-2011 17:03

 

Vivemos tempos difíceis, a Europa atravessa mais um dos seus maus períodos, provavelmente o pior de sempre ao nível económico. O velho continente que já resistiu a duas grandes guerras sofreu uma revolução industrial, sobreviveu a uma guerra fria, assistiu á queda do muro de Berlim, vê-se agora a braços com uma desagregação económica, causada pelo capitalismo selvagem e totalmente desregrado.

Se recuarmos nos anos constatamos que todas as convulsões provocadas pelos acontecimentos já mencionados, servirão para impulsionar a economia e fomentar o crescimento e desenvolvimento social dos cidadãos europeus, se ambas as guerras trouxeram miséria e dificuldades, foram também catalisadores e proporcionaram progresso, trazendo às pessoas melhores condições de vida.

Infelizmente a situação actual é totalmente distinta, a economia europeia não é suportada pela criação de riqueza, pelo contrário baseia-se de forma perigosa, na especulação bolsista de matéria primas, os grandes grupos económicos, detentores do controle das multinacionais, transferiram para os países emergentes, toda a sua produção visando assim maiores lucros, á custa de mão-de-obra barata, e á total inexistência de qualquer tipo de regras ambientais ou sociais.

É este capitalismo sem regras, que gozando da conivência ou da incompetência dos lideres europeus, teima em mergulhar o velho continente, numa das suas maiores crises sociais de sempre, e para a qual não se vislumbra qualquer saída, pois até o altíssimo desenvolvimento tecnológico alcançado, joga a nosso desfavor devido á menor necessidade de mão-de-obra e consequente aumento de desemprego.

As medidas tomadas pelo poder político, nos diversos países da União Europeia, não são mais do que imposições do capitalismo, que procuram assim aproximar as condições de vida dos cidadãos ocidentais aos dos países emergentes. Medidas que fomentam a precariedade laboral, o desemprego, o fim dos apoios sociais, resultarão sem dúvida numa agudização dos conflitos sociais, fenómenos que se têm vindo a verificar nos mais variados pontos do globo.

A aplicação destas medidas tem também o perigo latente de condicionar os governos legitimamente eleitos pelos cidadãos, e a própria democracia em vigor nesses mesmos países.

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