O Principio correcto

29-10-2011 14:37

 

Nem tudo pode ser mau, no meio de tantas medidas comprometedoras para a nossa economia e para o bolso da generalidade dos portugueses, eis que finalmente algo de positivo sai da governação destes senhores.

Na realidade a legislação aprovada, pela assembleia da república no sentido de que a prescrição de medicamentos seja feita pelo princípio activo e não pela marca, deixando ao utente a opção de escolha pelo fármaco mais barato, disposto pelo farmacêutico, é uma boa medida.

Medida fulcral não só para o utente, porque assim tem acesso ao medicamento, supostamente a um custo mais razoável, mas também para o estado que desta forma fará baixar os custos com a comparticipação de fármacos que tanto pesa ao erário público.

Mas existe ainda um factor não menos importante, que podemos chamar de moralizador, que irá pôr um certo travão a um relacionamento promíscuo e pouco claro entre a indústria farmacêutica e o sector clínico, aliás uma das principais dúvidas levantadas pela ordem dos médicos é a possibilidade de poderem vir a existir abusos pela parte das farmácias e dos seus profissionais, na oferta de certos fármacos de determinados laboratórios em detrimento de outros.

 Ou seja o que na realidade está na base da resistência por parte dos clínicos a esta lei, é simplesmente temerem que outros venham a fazer o que eles, ou muito deles sempre fizeram.

É obvio que vai ter que existir um controle apertado, para evitar que ocorram situações menos desejadas, pois concretamente a continuarem a existir “pressões naturais”, da parte dos laboratórios, sobre as farmácias para estas darem primazia aos seus fármacos, estas pressões serão mais discretas, provavelmente ao nível dos directores da farmácia.

Mesmo nesta circunstância, caso não estejamos perante situações que impliquem prejuízo para o utente ou para o estado, são situações de cariz bastante distinto daquelas que as pressões e as ofertas dos delegados de propaganda médica criavam, com a sua gravitação permanente nos centros de saúde e consultórios médicos.

Esta medida não sendo só por si a solução para um dos maiores problemas que afectam o serviço nacional de saúde, é um primeiro passo na moralização daquilo que deve ser o relacionamento dos vários agentes do sector.

facebok