O Luxo da Saúde

25-10-2011 20:03

 

Quantos de nós não ouvimos já histórias sobre doentes com doenças terminais, que pelo simples facto de esgotarem a verba prevista nos seus seguros de saúde, são enviados pelas clínicas privadas, para os hospitais públicos para ai terminarem os seus dias.

A lógica desmesurada do lucro na realidade não se condoí, com estas situações extremas e para estas clínicas, que por norma têm na obscuridade do anonimato, grandes grupos económicos e financeiros, não vêem pessoas mas números e euros.

Esta situação está imoralmente sustentada, em contratos em que supostamente ambas as partes sabem á partida as condições a que estão sujeitos.

 Surgiu no entanto uma nova situação que envolve a Nephrocare Portugal, empresa que presta cuidados de saúde a doentes crónicos com insuficiência renal, e que detêm praticamente o monopólio da diálise em Portugal, com clínicas de norte a sul do país e com contratos firmados com o estado, informou que pretende remeter para o serviço nacional de saúde, os doentes que para além de insuficientes renais, sejam também portadores de hepatite B.  

Estamos perante uma situação que para além de ser exemplificativa, dos riscos que decorrem da dependência do estado de monopólios, configura uma situação de descriminação por doença, que para além de totalmente imoral, colide com a constituição portuguesa, que condena toda e qualquer descriminação seja esta racial, sexual ou por doença.

A situação é tais mais grave, que mesmo que o estado quisesse numa posição de firmeza, questionar a manutenção dos contratos firmados para os outros doentes não portadores de hepatite B, não estaria em condições de o fazer, pois simplesmente não existe em Portugal quem possa prestar um serviço desta dimensão.

Esta é uma situação perfeitamente elucidativa, de que por vezes o barato, pode sair muito caro e aquilo que supostamente, representaria uma poupança para o estado se tornou num contrato que pela posição de monopólio de uma das partes, lhe permite ter uma posição de arrogância em relação ao estado, e que será urgente reavaliar situações futuras em que o governo pretende com a justificação de gastar menos, transferir para o privado aquilo que hoje é feito pelo Serviço Nacional de Saúde. 

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