O Coronel das Tormentas

12-11-2011 20:07

 

Está um dia tipicamente invernoso, o vento faz-se ouvir as nuvens negras ameaçam chuva, e neste sábado de Novembro está uma atmosfera estranhamente tensa, com uma temperatura atmosférica algo elevada, o que em regra significa fenómenos naturais imprevisíveis.

De contornos também imprevisíveis continua o movimento social que se debate com as medidas fascizantes que a coligação Coelho\Portas continuam a impor aos trabalhadores, nesse sentido decorre hoje em Lisboa uma manifestação convocada pelos sindicatos afectos aos funcionários públicos, servindo  de ensaio á greve geral convocada para o dia vinte quatro deste mês.

Esta manifestação tem a particularidade de ter a participação dos militares e dos agentes das forças da ordem, sendo a segunda vez no espaço de cerca de um mês que tal se verifica, até aqui tudo bem, são cidadãos portugueses que tal como os outros, são também visados pelas medidas de extorsão deste governo, logo têm o direito previsto na constituição de se manifestar e demonstrar o seu desagrado.

 Apesar de ter a firme convicção de que vêm ai grandes tormentas sociais, com as consequentes repressões habituais nestas circunstâncias, que repetirão sem duvida imagens já vistas noutros paralelos, não acontecerá aquilo que Otelo Saraiva Carvalho vaticinou, como um eventual e provável levantamento militar, e consequente derrube do poder politico instituído. Não vou para a treta de que as palavras do coronel constituem um crime e que devia ser punido, e todas as tretas que muitos, alguns dos quais antes da revolução de Abril, viviam á sombra e á custa do antigo regime (infelizmente ainda andam por ai muitos), se apressaram logo a ver a terreiro defender.

Na realidade não concordo com o coronel, pelo facto de que apesar dos atentados cometidos pela política deste governo, ao regime democrático, a situação do país é para já totalmente distinta daquela que levou os militares às ruas no dia 25 de Abril de 1974, naquele dia o que se fez foi devolver o poder de decisão ao povo, dando-lhe a possibilidade de escolher os seus representantes, dando-lhe a possibilidade de gritar a plenos pulmões a sua revolta o seu descontentamento, e isso nós ainda não perdemos.

Realmente o coronel, mais uma vez confundiu as coisas, se por um lado lhe reconheço alguma razão, de que as medidas que tem vindo a ser implementadas, colidem com as conquistas dos trabalhadores ao longo dos últimos trinta anos, e constituem um retrocesso civilizacional a resposta a esta situação cabe agora aos trabalhadores, e aos militares e a todos sem excepção que vejam os seus direitos violados, mas sem recurso a qualquer tomada de poder pela força das armas.

Sem dúvida que alguns elementos deste executivo, vêem no difícil momento que o país atravessa, uma oportunidade de aplicarem as suas ideologias ultra-liberais, alguns deles tais como a “ratazana canadiana”, com posturas democráticas muito próximas, do regime salazarista, mas caberá ao povo dar a resposta a estes senhores, e agora que muitos já constataram o logro em que caíram, darão num futuro próximo a resposta que esses senhores merecem, a isto chama-se democracia.

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