Indignação Generalizada

17-10-2011 18:14

 

Ontem teve lugar em várias cidades europeias, nomeadamente em Lisboa a marcha dos indignados, que teve a particularidade de conseguir juntar, pessoas de diversas faixas etárias e estratos sociais, sendo transversal a todos eles a injustiça que caracterizam as medidas tomadas no OE 2012, e que penalizam quase em exclusivo, os que pouco ou nada contribuíram para a situação actual.

Apesar das diversas tentativas, com avisos mais ou menos velados, do mais “africano de sempre”, de que não permitirá “tumultos”, ou dos fazedores de opinião televisiva, com o discurso da resignação, que  tentam passar para a opinião pública a mensagem encomendada por alguém de que não existe outra saída, senão sujeitarmo-nos todos, às sevícias que nos quiserem impor, parece que finalmente os portugueses estão a despertar para a realidade.

  Existe ainda em curso uma outra corrente, que basicamente assenta na teoria, de que pelo facto deste governo estar em funções há cerca de quatro meses, é totalmente inimputável e que não lhe podem ser assacadas responsabilidades. Como se os partidos que compõem a coligação do governo, não tivessem assinado o memorando da troika, e não tenham já assumido por diversas vezes, a intenção de ir mais longe do que estava previsto, como se em conjunto com os socialistas, não tivessem dividido a governação dos últimos trinta anos.

Têm-se verificado outras iniciativas, no sentido de responsabilizar criminalmente o governo do “Pinóquio” pelo estado das contas públicas, tais campanhas para além de totalmente inócuas, pois os seus promotores sabem perfeitamente que tal não é legalmente exequível, visam na realidade desviar a atenção dos portugueses, da actual governação, e da opção das medidas tomadas pelo actual governo.

Aliás os portugueses já julgaram a governação do governo do”Pinóquio” aquando das últimas eleições, para além de que a medida que alguns advogam, fosse aplicada com efeitos retroactivos, muitos dos distintos políticos, alguns ainda hoje a exercer cargos públicos, teriam muito que explicar aos tribunais.

 Como seria bom ver devidamente esclarecido, e apurada totalmente a responsabilidade de todos os intervenientes no caso BPN, mesmo aqueles que já no período de declínio daquela instituição, lucraram como ninguém com as suas acções, aqueles que se dizem tão sérios, que para serem igualados em seriedade pelos seus pares, estes últimos deviam nascer duas vezes.

Imaginem que seria realizada uma investigação, á forma como foram aplicados os fundos comunitários, na vigência dos governos do “sábio de Belém”, que supostamente, deviam servir para desenvolver e modernizar as pescas e a agricultura, os mesmos sectores que agora a ignóbil criatura, diz ser o desígnio futuro dos portugueses.(só se for para acampar, ou ir a banhos).

Como seria positivo que tivéssemos uma lei efectivamente eficiente, que permitisse averiguar o enriquecimento ilícito ou pelo menos imoral de muitos dos intervenientes da vida política nos últimos trinta anos, quantos nomes mais, não teríamos que juntar á lista divulgada pelo jornal Expresso.

 Como certamente concluíram não existem inocentes na curta democracia portuguesa, os cidadãos estão fartos de desculpas, e por aquilo que pudemos constatar ontem, estão dispostos a lutar pelas suas vidas, o que relança a esperança, numa sociedade mais justa e solidária.

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