(i)Legitimidade

28-10-2011 20:09

 

A realidade portuguesa e o grave momento que o espaço económico europeu atravessa, tem proporcionado aos “nossos governantes”, todos os motivos e mais alguns para moldarem a sociedade portuguesa á imagem daquilo que é a ideologia que os move. Como é obvio não me estou a referir ao memorando da troika, que aliás até já teve uma reformulação, e de que cujo conteúdo não foi dado conhecimento a ninguém.

Nem tão pouco do programa de governo, pelo simples facto de este não existir, ou pelo menos se assim quisermos chamar-lhe, este não é mais do que o primeiro memorando assinado e já largamente ultrapassado, tanto no conteúdo como na substancia pelas medidas aplicadas pelos senhores eleitos por muitos de vós.

Até aqui tudo bem foram eleitos legitimamente, como tal cabe-lhes governar, e aos que os escolheram, o futuro irá certamente provar-lhes que a decisão tomada, não terá sido a mais acertada. Infelizmente para muitos já será tarde.

Pessoalmente, tal como a generalidade de todos os comuns mortais, não faço ideia do que o futuro me reserva, tenho no entanto uma visão muito pessimista daquilo para que evolui a nossa sociedade, e vejo com muita dificuldade qualquer saída profissional, para os nossos jovens onde podemos incluir os meus e os vossos filhos.

Não me revejo num país, cujos governantes declaram abertamente, que os seus concidadãos têm que empobrecer, e que o único caminho apontado é o esbulho dos trabalhadores, com o compromisso falso e ignóbil de que esta é a única forma de retomarmos o crescimento económico, como se a generalidade dos trabalhadores portugueses, não estejam já sujeitos aos “humores”do patronato, efeito da crescente precariedade laboral.

A ideologia política aplicada, levara inevitavelmente a um empobrecimento efectivo e necessário para a mesma poder vingar, pois só assim será possível estes senhores, fazerem aquilo a que se propuseram, actualmente aquela cada vez mais proeminente figura do senhor ministro da economia, para além dos despedimentos previstos no sector de transportes públicos, já fala em suprimir ligações do Metropolitano em determinadas linhas a partir imagine-se das 21:00h.

Na realidade esta medida e muitas outras que perdoem-me, a ”ratazana canadiana” se propõe a aplicar, vêm na sequência de tornar esta e outras empresas de transportes, mais apetecíveis ao capital privado, nem que para isso se tenha que suprimir serviços com evidente prejuízo para os utentes. Independentemente de este senhor acreditar que este é o caminho correcto, (se tiverem paciência leiam o livro dele), tem a particularidade de ter um discurso fácil, e uma habilidade inata para manipular números, para tentar provar que tem razão.

A legitimidade política para governar é uma coisa fazê-lo com constrangimento, procurando estabelecer comparações entre o nosso país e países como a Holanda, Inglaterra, para tentar justificar a continuidade do corte dos subsídios de natal e férias para além de 2013, meus amigos a esta comparação eu só posso chamar a maior filha da put….ce, jamais feita, qual é o valor médio dos salários nesses países, provávelmente seis meses correspondem aos nossos catorze meses de vencimento!

Nem o sacana do “Pinóquio” teria a falta de vergonha de tentar justificar tamanha ignobilidade e comparar a realidade de  Portugal e os países em causa. Será que estes gajos acham que os portugueses são todos estúpidos, se calhar em relação á sua esmagadora maioria, até têm razão.

Não me vejo a procurar outros destinos, mas não deixarei de aconselhar as minhas filhas a fazê-lo, por muito que isso me custe, pois aquilo em que este país se vai tornar é um mercado de trabalho para pessoas provenientes de países subdesenvolvidos, com fraca qualificação e a receberem ordenados miseráveis.

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