Helénicos

03-11-2011 20:38

 

A republica Helénica, considerada o berço da democracia, que deu ao mundo alguns dos mais conceituados filósofos, e onde tiveram origem os jogos olímpicos, de onde saíram alguns dos mais importantes conceitos matemáticos, está actualmente a atravessar uma grave crise económica.

A Grécia, país supostamente desenvolvido, membro da união europeia desde 1981, passando a fazer parte da União económica e monetária da União europeia desde 2001. E digo supostamente desenvolvido, porque a crise actual veio por a nu, graves problemas estruturais que são transversais a toda a economia grega, com aspectos bastante semelhantes aos de Portugal.

A juntar a toda esta tragédia grega, que infelizmente extravasa as fronteiras da nação helénica, veio o George Papandreou, primeiro-ministro grego, dar mais ênfase ao drama, com a ideia de realizar um referendo, onde supostamente os gregos teriam oportunidade de se expressar se querem ou não continuar a ser “ajudados”.

O conceito “ajudados”, é no caso dos gregos como no dos outros países, resgatados pela troika, de uma importância singular, diria mesmo único, aquilo que está a acontecer na Grécia e que inevitavelmente irá ocorrer em Portugal, é a usurpação de uma nação de um povo.

Aquilo que o George Papandreou se propõe referendar, não é mais do que a democracia da Grécia, sim o referendo em causa é sobre a continuidade da democracia do estado helénico, é sobre isso que os gregos se irão pronunciar, caso o referendo avance.

As medidas de extrema austeridade que estão a ser impostas aos países periféricos do sul da Europa, não são compatíveis com estados democratas, as medidas a aplicar fomentam a destruição da economia de países soberanos, fomentam o desemprego e a precariedade, impõem a comunidades ocidentais, politicas laborais próprias de países subdesenvolvidos, com poderes ditatoriais, onde os direitos humanos são valores secundarizados.

O Passos de Coelho, contínua num esforço quase ridículo a afirmar de forma estóica que os lusitanos, nada têm a ver com os helénicos, tomara que ele estivesse certo, o facto é que se até agora o discurso do governo era cumprir com o acordado no memorando e ir para além do mesmo (o que infelizmente tem sido a pratica), neste momento já o virtuoso Coelho, fala em renegociar o acordo com a troika, quando á pouco tempo tal era de todo impensável.

O final desta tragédia moderna, dependerá da vontade daqueles que mais contribuíram directa e indirectamente para o estado actual da economia mundial, chegou o momento dos países com maior relevo na União Europeia assumirem as suas responsabilidades e decidirem de forma inequívoca, se pretendem a continuidade da moeda única e agirem de forma consequente. 

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