Espalhafatos

07-10-2011 19:00

De acordo com supostos relatórios policiais, solicitados não se sabe bem por quem, são esperados para o fim deste ano e no próximo de 2012, tumultos.

Como gosto se saber do que falo, ou pelo menos ao contrário de muita gente, não costumo falar do que não sei, procurei saber o significado exacto de tal palavra, e acreditem fiquei perplexo com a quantidade substancial de sinónimos, que existem para a situação que a mesma identifica.

Foi então que compreendi o significado dos tais relatórios, que ao que parece ninguém requereu, fiquei por exemplo a saber que qualquer noite mal dormida, com manifesta agitação, pode ser considerado um tumulto, da mesma forma que um mero alvoroço intestinal matinal, pode ser englobado no mesmo género.

Pelos vistos qualquer perturbação nos transportes públicos, ou uma gaja vestida (ou despida), com espalhafato, podem em ambas as circunstâncias serem definidas como potenciais tumultos, isto é óbvio de acordo com a língua portuguesa, aliás fiquei deveras surpreendido, pois eu próprio já participei em diversos tumultos, quando era mais pequeno, isto pelo facto de ter a particularidade de me envolver em frequentes zaragatas com os outros miúdos lá da rua.

Conclui ainda que sou diariamente vítima de tumultos, passo a explicar, como o meu quarto se situa na parte superior do imóvel, logo junto ao telhado, todos os dias sofro na pele uma matinada, que não é mais do que uma forma de tumulto provocada pelo canto da passarada ao amanhecer.

Como certamente concluíram perante esta diversidade de formas de tumultuar(acho que inventei uma palavra nova), não é difícil qualquer força policial ou até mesmo aos escuteiros perspectivarem a existência de futuros tumultos.

Aliás a postura do executivo e as suas opções governativas, configuram algo que vai para além do mero alvoroço, atingindo proporções que mais configuram uma situação de terrorismo social.

Seria agradável saber de quem partiu a solicitação do tal relatório, e quais os propósitos que o mesmo se propunha a atingir, estaremos perante uma estratégia de demonstração de força negocial por parte das policias,na resolução dos seus próprios problemas, ou é pura e simplesmente mais um estratagema deste governo na procura de condicionar a livre manifestação das pessoas na defesa dos seus mais elementares direitos.

Como diz o ditado, quem semeia ventos colhe tempestades, e quem anda á chuva molha-se.

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