Emergir
Esqueçam as políticas sociais, abandonem de vez a perspectiva de uma velhice digna, onde deveriam colher o que semearam ao longo de uma vida de trabalho, a Europa tal como a temos visto até hoje, está no fim de linha, sem saída.
Os níveis qualitativos de vida alcançados, pela generalidade dos países europeus, baseados nos parâmetros ocidentais, com reflexos naturais na própria natalidade, associados a uma evolução da medicina bem como os custos desta, com o consequente aumento da esperança média de vida, vieram lançar por terra o conceito da vida perfeita que era até agora o modelo ocidental.
Os desafios que estas questões vêm levantar, são a verdadeira crise que as sociedades ocidentais, vão ter que ultrapassar, os modelos familiares que adoptamos, ou nos foram impostos, conduziram ao longo destes últimos trinta anos, a que a população activa seja cada vez em menor número, o que irá a breve trecho provocar a falência de um sistema de reciprocidade, em que se baseia a segurança social. Esta é uma problemática transversal a todos os países ocidentais, ditos desenvolvidos, mas que atinge de forma mais dramática os que desde sempre estiveram mais fragilizados economicamente, como Portugal.
A crise que tanto tem dado que falar, que motiva tantas paixões, que eleva os patriotismos, que leva a aplicação de tanta austeridade, não é mais do que o colapso das sociedades ocidentalizadas, e de todos os seus valores.
Para cumulo, estamos a assistir a uma fuga para a frente, por parte daquelas que são as duas maiores economias europeias, a aposta na imposição unilateral de um novo tratado com penalizações automáticas a quem não consiga cumprir o défice de 3%, é o mesmo que dizer a alguns dos países membros que estão definitivamente fora da moeda única, pois convenhamos os mesmíssimos 3% são muito diferentes caso estejamos a falar de Portugal ou da Alemanha, e outra abordagem a este assunto é tratar o mesmo de forma pouco séria.
E mesmo que consigamos atingir esse valor, o mesmo terá custos socialmente inaceitáveis, e seremos uma sociedade europeia de 3ª ou 4ª categoria, em que mais de metade da população será carenciada, revertendo o ónus para a classe média (vejam os novos valores das taxas moderadores dos cuidados saúde), que tendencialmente deixará de existir.
A solução passará sem dúvida, pela alteração dos conceitos ocidentais de uma sociedade desenvolvida, eventualmente passará pelo regresso das famílias numerosas dos anos trinta e quarenta em que em média, os casais tinham sete ou oito filhos,(anulem a subscrição da TV por Cabo e apostem na procriação) em que tal facto era contrabalançado por uma elevada mortalidade infantil, passará pelo retorno dos tempos em que só alguns tinham acesso ao ensino superior e aos cuidados de saúde enfim passará pelo empobrecimento generalizado dos cidadãos.
Resta-nos aguardar que os, países a que agora chamamos de emergentes, alcancem o nosso actual nível de desenvolvimento, (cometam os mesmos erros) e tal como nós fizemos com eles, transfiram para nós a produção de tudo o que consomem, possibilitando-nos passarmos á condição de emergentes.