Democracia Procura-se

13-11-2011 13:22

 

Retorno á “polémica” entrevista de Otelo Saraiva Carvalho, em que o ex-capitão de Abril reconhece existirem hoje motivos, para despoletar uma nova tomada do poder pelos militares.

Já tive oportunidade em apontamentos anteriores, de destacar aquilo que me afasta da opinião do velho coronel, porém não poderia estar mais de acordo com Vasco Lourenço, na realidade a democracia está doente, não me estou a referir á democracia em Portugal, mas sim á democracia a nível global.

O momento actual do continente europeu, e das mais velhas democracias do mundo, está tragicamente marcado pela grave crise económica, agravado pela impotência e incompetência dos seus líderes, colocando em risco a democracia nos países cujos governos foram legitimamente eleitos pelos seus cidadãos. São exemplo do que afirmo o primeiro-ministro grego Georges Papadreu, e o Sílvio Berlusconi, ambos eleitos democraticamente pelo povo grego e italiano, e obrigados a abdicar dos seus cargos.

Não deixa de ser curioso que Berlusconi, tenha sido o primeiro-ministro italiano que se conseguiu manter mais tempo no poder desde a 2ª grande guerra, resistindo a inúmeras polémicas, escândalos sexuais, processos judiciais por corrupção, e viu-se agora na iminência de se demitir, pelo efeito da pressão dos mercados.

Efectivamente o que estamos a assistir, ao nível da união europeia é a capitulação do poder político e dos órgãos legitimamente eleitos, ao capitalismo selvagem, é a especulação dos mercados a impor as suas regras aos governos eleitos democraticamente.

Não há muito tempo, a então líder do PSD Manuela Ferreira Leite, defendia a suspensão da democracia por seis meses em Portugal (nunca percebi se falava a sério), para meter tudo na ordem e depois retomar novamente a democracia.

Ironia do destino é exactamente isso que está a acontecer em diversos países da Europa, nomeadamente no nosso, não será por acaso que algumas propostas que fazem parte do O.E. serão enviadas pelo “sábio de Belém” ao tribunal constitucional, e supostamente algumas não estarão de acordo com a constituição da nossa nação.

É neste contexto que a tal sublevação de que falava Otelo, faria sentido se a mesma se verificasse ao nível europeu, pois a coligação que governa Portugal, não passa de moços de recados dos alemães e franceses, e farão tudo o que lhes for indicado, mesmo que isso signifique o fim do regime democrático em Portugal, falta agora saber como é que vão reagir a isto aqueles que lutaram e deram sangue, suor e lágrimas em prol da democracia que hoje os filhos de todos podem usufruir.

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