Cães Danados

20-10-2011 19:00

Mais uma flor da nossa profícua sociedade, o senhor João Maurício Fernandes Salgueiro, conhecido economista da nossa praça (mais um) de profissão, actividade desenvolvida cumulativamente, com uma longa carreira política.

Ao procurarmos os primórdios desta carreira política, esta busca levamo-nos aos anos de 1969, data em que o digníssimo cavalheiro desempenhou funções na fundação SEDES, no período da primavera marcelista, no tempo da outra senhora.

Nesse mesmo ano é nomeado subsecretário de estado do planeamento, por Marcelo Caetano, cargo em que se mantêm até 1971, vendo a sua promissora carreira interrompida pela revolução de Abril, situação que reverteu facilmente ao aderir após o 25 de Abril, ao partido social-democrata.

Deu então continuidade á sua carreira politica, tendo sido ministro do estado, das finanças e do plano do VIII governo constitucional, de Pinto Balsemão, entre 1981 e 1983, desde então tem desempenhado funções como presidente em diversos conselhos de administração da banca, (caixa geral depósitos) foi vice-governador do banco de Portugal, e presidente da associação de bancos portugueses.

Actualmente é membro, imagine-se do conselho económico e social, cuja actividade entre outras visa a promoção do dialogo social e a negociação, entre governo e os parceiros sociais.

Esta dissecação sobre este ilustre cavalheiro, já vai longa e não tenho nenhuma motivação pessoal, nem particular prazer em fazê-la, tendo no entanto em consideração as ultimas afirmações do sujeito, e não sendo a primeira vez que adopta tal discurso, é importante divulgar o seu percurso político e as responsabilidades que tem no estado actual da economia de Portugal.

Feito o esclarecimento, passemos ao essencial, o ilustre cavalheiro, a titulo justificativo das medidas do OE, veio dizer que é chegada a altura dos portugueses perceberem que “não há almoços grátis”, falando num congresso de economistas, aconselhou os portugueses a pouparem mais, referindo que com os mesmos salários é possível poupar mais, dando como exemplo desta pratica, os chineses os indianos e os paquistaneses, que ganham menos e mesmo assim conseguem poupar.

Dando asas á sua gonorreia verbal, continuou afirmando que “não é difícil dizer que os governos têm a culpa”, acrescentando que os portugueses “foram avisados”, e deram o assentimento para o crescimento da divida externa, e que os sindicatos tiveram a sua importância no século XIX, mas que a realidade agora é outra.

Haja alguém que diga a este senhor que, efectivamente a realidade é outra, que desde 1974, existe em Portugal um regime democrático, que é tão democrático que permitiu até, que pessoas como ele que tiveram responsabilidades governativas no tempo da ditadura, tenham construído uma carreira politica, e vivido toda uma vida, á sombra do estado, comendo do mesmo e contribuído activamente para que este chegasse aquilo que hoje temos.

Alguém diga a este senhor que a generalidade dos portugueses ao contrário dos políticos, não têm almoços á borla, que não existe qualquer semelhança entre Portugal e a China ou o Paquistão, provavelmente se ele tivesse nascido chinês, não teria tido a vida que teve até agora.

Alguém diga a este senhor, que para além da responsabilidade a assacar aos portugueses, pelo endividamento irresponsável em que ocorreram, as instituições bancárias que ele próprio representou enquanto presidente da associação de bancos e vice-governador do banco de Portugal, contribuiram significativamente para tal, fomentando a atribuição irresponsável desse credito, recorrendo muitas vezes a práticas pouco ortodoxas, como tal não pode agora cuspir para o ar, pois têm sérias responsabilidades nesta matéria.

Por fim alguém diga a este senhor, que lhe fica muito mal cuspir na gamela, onde ainda continua a comer, e que se eventualmente, fosse um cidadão chinês, provavelmente já teria sido abatido, pois em regra é o que acontece aos animais que mordem a mão que os alimenta, e nisso os chineses são eximíos.

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