Baixíssimo

03-10-2011 19:45

O senhor Pedro Nunes, na qualidade de bastonário da ordem dos médicos, veio mais uma vez a público com uma questão nada pacífica, aliás estou em crer que devia existir um prémio qualquer (não monetário se não o Crato passa-se), para o bastonário mais polémico, pois ao que parece a ordem dos médicos quer ombrear com a ordem dos Advogados do senhor Marinho Pinto.

De acordo com o senhor bastonário, os médicos têm grande dificuldade em atestar se os utentes que se apresentam nos centros de saúde estão efectivamente doentes. Na realidade deve ser extremamente difícil, aos clínicos no meio da correria diária entre as clínicas privadas e os centros de saúde, fazerem o devido juízo acerca da saúde dos seus doentes, creio que na maioria dos casos nem sequer olham para as pessoas.

Perante esta situação, em vez de agir deontologicamente e criminalmente, contra os médicos que incorrem em tais praticas, não o senhor bastonário vem branquear o assunto, e sugere que a lei seja alterada, e que possam os doentes “tratar” da sua própria baixa, mediante a elaboração de declaração a entregar á entidade laboral em como estão doentes. A iluminada criatura defende a radiante solução a situações de gripes, constipações, enfim coisas simples.

Ou seja estupidamente vai logo dar exemplos de doenças que pelos sinais exteriores inerentes às mesmas, permitiria ao “merceeiro”, verificar em loco se estava ou não a ser enganado. O que o senhor Pedro Nunes devia ter coragem de dizer é que os médicos não se estão para chatear, e na sua maioria só se mantêm no serviço nacional de saúde, pois não conseguem colocação a tempo inteiro no privado, ao mesmo tempo que lhes interessa manter o vinculo estatal, por motivos óbvios.

A solução apresentada não é mais do que sacudir a água do capote, aligeirando responsabilidades e competências, o que contrasta com outras situações em que não querem abrir mão das mesmas, tais com a transcrição de medicamentos, ou a substituição destes, por outros por parte de outras entidades, pois isso significaria abrir mão de agradáveis ofertas por parte dos laboratórios, bem como de convites para luxuosos congressos médicos a bordo de barcos de cruzeiro.

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