Altíssima Magistratura

04-10-2011 19:00

O concelho superior da magistratura, decidiu abrir um processo de averiguações para apurar o que correu mal na detenção do Isaltino Morais, este é o tipo de notícia que não fosse a gravidade da situação daria para rir até não poder mais.

Ao que parece á primeira vista, nada correu mal com a detenção do ilustre autarca, não ofereceu resistência, não tentou fugir, enfim na gíria policial, foi uma detenção sem espinhas, fácil como limpar o rabinho a um bebe.

O que o ilustríssimo concelho superior de magistratura devia averiguar é em que contexto é possível alguém ser constituído arguido num processo sem grande complexidade aparente, em meados do ano de 2005, e no segundo semestre do ano de 2011, estar este circo montado.

Esta será sem dúvida a pergunta que todos os portugueses gostariam de ver respondida, da mesma forma que provavelmente todos se questionam, se em vez do ilustre “representante” do povo, fosse um cidadão anónimo a estar no seu lugar, não estaria agora a sair da prisão depois de cumprir a pena a que havia sido condenado, certamente que sim.

Como em tudo na vida, quem tem dinheiro para pagar um “bom”advogado, consegue protelar a decisão num processo judicial, por tempo indeterminado com recursos sucessivos, com o objectivo único de dilatar no espaço temporal qualquer sentença a aplicar. Se por um lado é legitimo que os advogados façam tudo o que tiverem ao seu alcance para obter estes resultados, caberia ao poder politico legislar no sentido de acabar com estas situações que só descredibilizam a justiça que de cega tem cada vez menos.

Infelizmente devido ao facto de na sua maioria o poder político ser constituído por advogados de carreira, existindo inúmeras situações em que ao mesmo tempo que exercem mandatos de deputados, mantêm laços efectivos com as suas firmas de advocacia, atendendo aos interesses estabelecidos e á promiscuidade de tais relacionamentos, dificilmente iriam tomar iniciativas legislativas que debelassem este tipo de situação.

 Como exemplo do que digo basta ver quem são os advogados dos casos mais mediáticos que envolvem políticos, em regra foram anteriores responsáveis políticos com responsabilidades governativas, ou fazem parte de gabinetes de advogados cujas testas de ferro são estes mesmos responsáveis.

O caso Isaltino Morais é só mais um entre muitos, de alguém que pelo simples facto de atingir alguma notoriedade (pelo piores motivos) na sociedade, usufrui de um tratamento excepcional, por parte daqueles que deviam aplicar de forma isenta e imparcial as leis da república.

facebok