Alcemania

27-09-2011 19:50

O ditado é antigo, e segundo a sabedoria popular só os burros é que não mudam e mantêm ideias fixas, isto vem no contexto da actual forma em como é conduzido aquele que se intitula o maior programa de debate da televisão nacional, tempos houve em que aquele era efectivamente um espaço de debate de ideias e troca de opiniões.

Ontem tivemos oportunidade de assistir a mais um Prós e Contras, moderado pela jornalista Fátima Campos, que tinha como tema o Desafio que enfrentam os portugueses nos próximos tempos.

Tendo como convidado de maior destaque o titular da pasta da economia, bem como o seu staff de secretários de estado, para além de outros convidados na sua maioria conotados com as politicas actualmente em vigor, ou ainda embebidos daquela estranha complacência de que continua a beneficiar este governo, até o representante da CGTP estava estranhamente benevolente.

Quem como eu acompanha, desde o seu inicio o referido programa não deixará de constatar que este perdeu a sua acutilância, desde logo pela escolha dos convidados, que na minha modesta opinião, mais do que concordar com as politicas em debate, deviam questionar as mesmas de forma objectiva proporcionando assim o esclarecimento efectivo da opinião pública.

Das diversas áreas abordadas, o sector do turismo e o das energias foram aqueles que me suscitaram mais duvidas, não só pela indefinição respeitante a decisões tão importantes como o aumento do IVA da taxa intermédia para a taxa mais alta nos serviços de turismo, o que certamente irá afectar imensamente todo o tecido empresarial deste sector, como irá contribuir significativamente para o aumento do desemprego num sector fundamental para o pais com peso fundamental no PIB e como foi tenuemente recordado pela representante dos hoteleiros, tanto no caso da Irlanda como da própria Grécia, o IVA nesta área baixou em vez de subir.

No que respeita á electricidade, anotei a ambiguidade do ministro, que ao mesmo tempo que afirmava ser o sector das energias renováveis, importante para o governo continuando o mesmo a ser uma aposta, deixou a porta da produção de energia nuclear aberta, esta dualidade de posição em relação a duas formas de produzir energia de origem completamente distinta, demonstra que não existe uma definição do rumo a seguir também neste sector, e eventualmente estará o executivo totalmente á mercê de interesses dos empresários que desde há muito defendem o nuclear com o Sr. Patrick de Barros ou o Sr. Mira Amaral.

O Sr. ministro demonstrou também uma grande preocupação com os desempregados, nomeadamente nas situações em que no mesmo agregado ficam sem trabalho tanto o esposo como a mulher, reconheço tive alguma dificuldade em conter uma lágrima que teimosamente tentava escapar.

Na realidade é preciso ter uma grande dose de hipocrisia, pois se alguma preocupação houvesse com o facto de as pessoas ficarem desempregadas, não agravavam a situação já por si dificil com alterações á legislação laboral, que visam só promover mais precaridade e desemprego entre os portugueses.

 Uma ultima palavra para aquilo que julgo ser o fim de uma novela, que ao contrário do que afirmou o homem que veio do pais dos alces, não era uma megalomania de um governo PS, mas sim uma megalomania dos vários desgovernos que tivemos, estou a falar do TGV, finalmente temos um ponto final neste assunto e ao que parece vamos finalmente fazer algo no sector ferroviário efectivamente útil e necessário a Portugal.

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